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sábado, 22 de maio de 2010

Intervalo na escuridão

Ali, na calçada, pés descalços, cabelos soltos, impaciente, com raiva, os olhos vidrados na esquina à espera do carro preto, sozinha, a noite... por uma fração de segundos observo um clarão no céu. Imagino logo que são alguns babacas da vizinhaça soltando fogos de artifício em comemoração de algum timezinho de futebol. Não que eu não goste de futebol, porque na verdade eu acompanho vários jogos e campeonatos, mas eu não estava em clima para festejar naquela noite. Mas então eu olhei firmemente em direção àquela claridade, nunca vi fogos de artifíco tão altos e rápidos. E da mesma forma como apareceu no céu, sumiu. Assim, sem mais nem menos. E tudo ficou preto outra vez. Um intervalo na escuridão. Foi tudo tão rápido que eu mal pude assimilar os fatos. Na nossa vida há coisas que por mais que queiramos que durem para sempre não são eternas. E só porque tais coisas algumas vezes são passageiras não significa que não sejam reais. Enquanto aquela estrela caía no céu, foi real. E foi lindo, um momento de perfeição. Por uma fração de segundos tudo pareceu tão certo. Tive uma crise de risos, uma súbita felicidade encheu-me por completo. Então eu fiz meu pedido, mesmo que a estrela já não estivesse mais no céu. Pedi que ele também olhasse para o céu, e visse Vênus, a estrela D'alva. Tão linda estava, brilhando sem parar. Será que nosso amor era assim? Para sempre? Será que aquilo que sentíamos sempre iria resplandecer, assim como Vênus não para de brilhar? Ou será que tudo que vivémos foi como aquela estrela cadente? Passageira, rápida, mas ao mesmo tempo tão linda... Não sei se foi o fim de nossa história, não sei se um dia nos reencontraremos, não sei se já estou pronta para recomeçar. Só sei que naquele momentos lembrei dele, de uma forma que eu já não lembrava. Para ser sincera, eu nem lembrava mais de sua existência. Foi como um dump... tava tudo calmo, e de repente explodiu. Deu vontade de gritar ao mundo o que eu estava sentindo, vontade de correr e olhar nos olhos dele e poder falar para ele que a nossa estrela, meu bem, a NOSSA estrela nunca pararia de brilhar... mas ao mesmo tempo pareceu tão errado. Porque assim é o amor, um mar de paradoxos e contradições. Quando a gente ama, não vivemos mais pela razão, fazemos loucuras. Por mais que eu quisesse estar com ele naquele momento, eu sabia que não podia, eu não estava pronta para vê-lo outra vez. Tudo isso passou pela minha cabeça tão rápido, como um flash. Num momento eu estava ali, esperando o carro, com raiva de mim mesma... e agora estava em um mar de contradições, com um sorriso no rosto em formas de lágrimas. Olhei mais uma vez para o céu, meus olhos varreram as estrelas até encontrar a estrela D'alva novamente, e baixinho murmurei: "adeus... "

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